MPF investiga métodos usados por escola de informática em Marília
sexta-feira, 29 de junho de 2012O Ministério Público Federal de Marília está investigando os métodos usados por uma escola de informática da cidade para atrair alunos. A medida foi tomada por conta de denúncias feitas à promotoria e também ao Procon, que já soma mais de 3 mil queixas contra empresa. O número é grande que a escola figura entre as líderes de reclamação no órgão.
“Se ao final chegarmos a conclusão que essas práticas abusivas estão ocorrendo deve ser proposta uma nova ação civil pública em relação à empresa. O objetivo é adotar medidas judiciais para que essas práticas não sejam mais adotadas. Caso continuem sendo praticadas seja aplicada multa em razão do descumprimento”, explicou o procurador da República, Jefferson Aparecido Dias.
Com a promessa de ganhar para filha de 16 anos uma bolsa integral de estudos de um curso de informática, Juraci Damásio da Silva aceitou assinar um contrato com a escola. Mas o que a catadora de matérias recicláveis não sabia é que o curso era pago. Ela se comprometeu a pagar R$ 125 durante 36 meses. E ainda se sujeitando a pagar uma multa de R$ 500 em caso de desistência. “Daí eu não deixei mais minha filha ir lá. Larguei mão”, disse.
Já o pedreiro Marcelo Ortega Silva ainda guarda os livros que supostamente ganharia da escola de informática. Atraído pela oferta de não pagar o material e ter desconto de 50% no curso de R$ 3,6 mil, ele também assinou um contrato. Resultado: prejuízos como multa e nome incluído no Serviço de Proteção ao Crédito. “Vou ter que entrar com algum advogado porque não tenho condições”, contou.
O supervisor do órgão na cidade explica que a escola de informática atraiu os alunos dizendo que eles tinham sido contemplados com bolsas de estudo do Governo Federal. Ainda na lista de irregularidades, a omissão de dados contratuais e utilização de cupons de promoções de associações comerciais e supermercados para conseguir os dados de potenciais clientes, o que é crime. “Eles adquirem os cupons de empresas que fazem sorteios e promoções. Isso para criar um banco de dados. Sempre é desconfiar”, informou.
Em nota, a empresa informou que faz propaganda por meio de campanhas publicitárias, redes sociais e parcerias com empresas da cidade. Disse que entende as reclamações até pelo fato de o consumidor ter mais acesso ao Procon. No entanto, negou trabalhar de forma ilícita e esclareceu ainda que caso haja alguma determinação judicial, ela poderá rever seus métodos e procedimentos atuais de trabalho.
Fonte: G1.com


