Ação em Marília prende Nelsinho por esquema de ‘mensalão’
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011O ex-chefe de Gabinete e ex-secretário da Fazenda da cidade de Marília, Nelson Virgílio Granciéri, o Nelsinho, foi preso na manhã da última sexta durante operação conjunta da PF (Polícia Federal) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado). Ele é acusado de extorsão, corrupção de vítimas e coação.
A prisão preventiva foi concedida pela 1ª Vara Criminal de Marília – a mesma que havia negado anteriormente o pedido de prisão de Nelsinho. Ele foi levado à sede da PF na cidade, onde prestou esclarecimentos por cerca de uma hora. No fim da tarde, Nelson seguiu para a Cadeia Pública de Garça.
A prisão do ex-chefe de Gabinete é um desdobramento da Operação Dízimo, desencadeada há 15 dias pela Polícia Federal. Na ocasião, Gaeco e PF recolheram dezenas de documentos e mídias na prefeitura, em gráficas, agências de publicidade e na casa de Nelsinho. Foi a partir desses documentos que os promotores chegaram ao esquema de “mensalão” pago por Nelsinho e seu grupo político a funcionários públicos, aliados e empresários da cidade.
MENSALÃO /A lista contendo beneficiários do esquema mensal gerenciado por Nelsinho chega a dezenas de nomes e vinha aumentando constantemente, informaram os promotores do Gaeco. Documentos com a contabilidade dos pagamentos foram apreendidos na casa do ex-chefe de Gabinete, em mídias recolhidas durante a operação.
“Na operação, foram apreendidos documentos importantes que, analisados, foram trazidos ao processo. Encontramos contabilidade de volumes grandes de dinheiro. São pagamentos que chegam a R$ 500 mil por mês”, explica um dos promotores responsáveis pelo caso, Silvio Barbagalo.
De acordo com ele, serão feitos novos levantamentos e os pagamentos serão investigados. Ele também não descarta a possibilidade de que mais pessoas sejam presas no decorrer da operação.
Segundo os promotores do Gaeco, Nelson confirmou a contabilidade do “mensalão” e afirmou que os pagamentos eram uma forma de manter o poder na Prefeitura de Marília. Ele afirmou ainda que o grupo político ao qual ele pertencia realizava os pagamentos e ele gerenciava o esquema. Nelson afirmou ainda que o prefeito Mário Bulgareli (PDT) sabia e estava junto nesse gerenciamento. “Existem indicativos de que esses pagamentos vinham ocorrendo há vários meses. A alegação é de que o dinheiro era proveniente de empréstimos”, informa o promotor Neander Sanches.
Como a prisão é preventiva, não há data para que Nelsinho seja liberado, exceto se o pedido de soltura feito pela defesa do ex-chefe de gabinete for aceito pela Justiça.
Além de Nelsinho, outras quatro pessoas, entre elas um funcionário público, são investigados nesse caso em específico. As investigações sobre o pagamento de propina continuam correndo normalmente na Justiça.
O advogado de defesa, Carlos Mattos, informou que Nelson estava tranquilo e que iria prestar todos os esclarecimentos. A defesa deve solicitar o habeas corpus.
A Procuradoria Geral do Município espera ter acesso ao teor da denúncia efetuada pelo Ministério Público para depois se manifestar.
Fonte: Diário de S. Paulo
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